♣ 1967/2017 - 50 ANOS DEPOIS
no dia 17 de JUNHO DE 2017
clica nos links indicados pela seta e destacados a vermelho e sobre as gravuras da coluna da esquerda
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Boas férias e até breve,num próximo encontro ou tertúlia!
Com um abraço
José Capelo
♣ O MELHOR DOS CONTOS QUE ESCUTAMOS....
Não é portanto de
estranhar que com o aproximar deste nosso NOSSO REENCONTRO com a excitação mal contida e a emoção
manifesta, sejam o resultado dos momentos que adivinhamos ir viver:
- Abraços fraternos e
beijos amigos a espalhar pelos Armandos, Eliseus, Manéis, Luízes, Norbertos,
Antónios, Pedros, Joões, Marias, Luisas, Anas, Isabeis, Manelas, .... etc, etc.
- Relembrar as histórias
brilhantes que protagonizámos e permanecem intactas nas nossas memórias,
enquanto devoramos adolescentemente os petiscos e avidamente a inebriante
pinga.
-Viver momentos lindos
onde acontecerá a gargalhada libertadora, a cumplicidade de recordar e a
comoção inevitável, ao fim e ao cabo, apanágio destes NOSSO REENCONTRO.
Como disse o Torga: «
a velhice é isto: ou se chora sem motivo, ou ficam os olhos secos de lucidez.»
Serão dias
nossos, dias que contribuirão para reforçar o espírito do GRUPO e acentuar
as marcas já interiorizadas no passado. DIAS certamente muito bonitos e
transbordantes de QUERER para que e até sempre aconteçam dias desses.
Luis Mário Cunha
(ex-dux veteranorum)
«O melhor dos contos que escutamos, o melhor de todo o
verdadeiro amor, dos mais belos episódios da vida, consiste talvez em
revivê-los, em retomar aquilo que passámos, muito tempo depois, contemplando
bastante de longe o passado, as realidades desprendidas de toda a sob rescrição
que as rodeava. Como a alma adora planar entre essas recordações!» (...) « os cantos
mais fortes e mais doces, ainda não foram cantados.» (Walt Whitman)
♣ UMA SINGELA EVOCAÇÃO
Sabe-me bem por vezes, descer às profundezas da
memória e demorar-me em imagens, que permanecem vivas, do verão de 67.
Na Guarda, Junho era quase sempre um mês já escaldante em seus calores
estivais e também o foi naquele longínquo ano que, por ser de exame deu direito
a fato novo, de tecido pesado, pois fato que se prezasse, o dono haveria de
albardar por todas as santíssimas quatro estações.
E foi assim bem enfarpelados que no primeiro dia dos exames nacionais, nos
fomos aglomerando cheios de ansiedade, à porta do Liceu:
- Ena tanta gente!
- Esconde o cigarro que a tua mãe está a olhar para ti”
- Ali a M…. está boa c´mó milho!
- Esta noite nem preguei olho!
- Nunca mais toca a porra da campainha!
- Se calhar um texto do Herculano, ainda me safo na Literatura!
Estas eram algumas das bocas que ressoavam naquele babel de sentimentos e
emoções antes do inicio das provas escritas que seriam, afinal, o tiro de
partida para a nossa dispersão, uns directamente para o mundo do trabalho,
outros a caminho das três cidades universitárias que então existiam, com
Coimbra quase sempre a levar a palma.
Gradualmente fomo-nos perdendo segundo os acasos da vida que alguns,
felizmente poucos (lembro com saudade o Zé Alberto Capelo), nem tiveram
oportunidade de construir.
A máquina do tempo foi rodando. A uns cobrou o tributo de servir na guerra,
tolhendo-lhes ou retardando-lhes a definição de um rumo e a outros terá cobrado
as lágrimas vertidas em momentos de solidão ou de saudade dos tempos que não
voltam. Mas finalmente de todos fez cidadãos de corpo inteiro e pais e mães
embevecidos dos rebentos com que contribuímos para os alicerces do futuro.
1992 foi o inicio do nosso reencontro. Recordo a ansiedade à medida à
medida que íamos chegando, tentávamos identificar os rostos a que pudéssemos
devolver os nomes que conservávamos na memória! E logo que o conseguíamos, com
naturalidade se reavivavam, como se tivesses ocorrido ontem, episódios daqueles
tempos difíceis mas também inebriantes da mocidade perdida.
Pode dizer-se que os nossos encontros estão agora institucionalizados. E,
depois de transcorridos tantos anos, é gratificante constatar que não
rejeitámos aquela paisagem serrana, agreste e granítica, que para sempre nos
moldou a alma, para, com coragem enfrentarmos a adversidade, com alegria
desfrutarmos os momentos em que a vida nos sorri, e sem acanhamentos pu
vedetismos, nos respeitarmos na nossa diversidade e assim nos misturarmos, como
iguais, nestes momentos de confraternização que todos desejamos que se repitam
por muitos e muitos anos.
João Gonçalves Marques
Maio 2000
♣ O ENCONTRO ANUAL DA MALTA
Numa
primeira fase, chegados a um patamar da escadaria (quase sempre coincidente com
a estabilidade material e profissional e com filhos já senhores do seu nariz)
descansamos o que nos possibilita, sem querermos ou sequer disso termos
conhecimento, as primeiras interrogações acerca da infinidade da escada que
temos vindo a subir e do real valor dos prémios que o nosso ego espera ir
conquistando nessa ascensão.
Pé ante pé, difusa, uma certa dúvida
existencial começa a instalar-se na nossa vida.
Recuperadas
as forças, reatamos a subida.
Mas onde
está a anterior ligeireza?
Os músculos
estão cansados e as nuvens escondem agora a parte superior da escada. Começamos
como que a ter frio e a necessidade de parar amiúde.
Curiosamente,
apesar de sempre ter estado aí, só agora reparamos que ao nosso lado há muita
gente, parte da qual conhecemos lá em baixo naquela fase difícil em que tivemos
que atravessar montes, rios e outros obstáculos antes de iniciarmos a subida.
É gente com
a qual tínhamos tanto em comum, como era os sonhos que alimentavam as nossas
vidas.
Olhamo-nos e
de imediato reempatizamos, apesar das diferenças, damo-nos conta que somos
muito iguais: os corpos igualmente marcados pelo tempo; idêntica a rapidez das
vidas; os mesmos sonhos, paixões, preocupações, ambições, etc.
E toda esta
similitude, independentemente das voltas que demos, das profissões que temos e
da dimensão das nossas contas bancárias.
É obra!
Por isso nos
sentimos bem quando nos juntamos. É certo que estamos numa escada: as vidas são
separadas e é preciso prosseguir a subida, mas os patamares agora sabem tão bem
….
Aí, pelo
menos, não temos necessidade de lutar e cada vez mais nos vamos dando conta que
a amizade é senão o maior, um dos principais valores da vida.
E que
amizades mais belas que aquelas que vêm da época mais pura, simples e realista
da nossa existência?
Por tudo
isto um muito obrigado aos que este ano estão a organizar o encontro.
Por
experiência sei o muito trabalho que dá, mas, creiam-me os próximos, é mais
recompensado pela alegria de o termos feito.
Eliseu G. Fernandes
Mafra, 20 de Maio de 2000
♣ A GUARDA e as SUAS TRADIÇÕES ACADÉMICAS
Tentarei pois relembrar este tema já que mesmo não sendo um “praxista
afamado”, pelo menos tentava ser seguidor das regras que as determinavam.
Cumpre assim dizer que a Guarda era de facto um bastião de praxes,
rituais e actividades de índole Académica que a tornavam impar em comparação
com outras cidades onde o limite dos estudos que se podiam atingir era similar.
Daí que, pelo menos aqueles que após a conclusão do curso liceal
optaram por ir estudar para Coimbra, tenham encontrado menos dificuldades na
sua adaptação à praxe coimbrã, porque a vivência da mesma, nas nossas escolas
era já muito similar.
Em primeiro lugar havia o traje Académico.
Já usávamos, no todo, a velha capa e batina, e cumpríamos todos os
rigores a que o bem vestir esta indumentária obrigavam.
E tínhamos “as troupes” que recebiam os caloiros que vinham chegando
das povoações em redor da Guarda, e que, de uma forma suave ajudavam à sua
integração na vida estudantil, já que eram muitas as novidades que o Liceu lhes
aportava.
Tínhamos também as serenatas e a Queima das Fitas dos Finalistas que
iam cumprindo, ano a ano, o “sétimo” de todos os sonhos.
E havia o nosso “Dux Veteranorum”.
A ele competia zelar pelo bom cumprimento das regras e praxes
académicas e resguardar o bom nome da Academia por forma a que essas Tradições
se mantivessem intactas.
O Dux era tido como boémio, e o mais “vadio” de todos nus (ressalve-se
que na nossa terra a palavra “vadio” não tem a mesma conotação pejorativa que,
em muitas regiões do nosso país, pois está associada a um individuo de mau
carácter.
Aliás a população estudantil apenas o via como alguém não cumpridor das
regras da “Sociedade Futrica”, ou seja um pouco rebelde e contestatário.
Nós sabíamos que não era assim, que o seu coração era grande e
albergava “todos os amigos do mundo”. E como lá podiam caber tantos!...
O Dux era o nosso deus, o maior e o melhor de nós todos, aquele que
fazia os impossíveis e até milagres que tanto nos espantavam.
Mas que também podia chorar (porque só os Grandes Homens o sabem fazer)
nas horas boas e más porque tínhamos de passar.
Por isso nos orgulhávamos dele.
Sabíamos que ali estava o “Guardião das Tradições Académicas” e que por
isso as mesmas jamais podiam morrer.
A Escola e os Mestres faziam de nós gente pronta a construir “os sonhos
com que sonhávamos”.
Mas, a Tradição Académica e o nosso Dux, acabavam também por nos moldar
o carácter, nessa plêiade de sentimentos que em nós hão-de perdurar como são a
amizade, o sentido de humanidade e a solidariedade. Por isso, nós, os da
Guarda, continuamos a ter a Nobreza, Orgulho e Grandeza de Alma que fazem tão
rica a nossa Academia, sentimentos esses que, mesmo na voracidade dos tempos,
continuam a ser apanágio de quem ali nasceu e estudou.
José
César Pereira – Finalista 65/66
in «Ó da Guarda» editado no Encontro
Nacional de Mafra.(20-06-1998)
PARA RECORDAR E SORRIR
Caderno numerado e autenticado com algumas das as mais famosas "estórias" e "tiradas" dos alunos e, naturalmente, dos nossos inesquecíveis e célebres professores do Liceu Nacional da Guarda. 35 páginas em formato A5, plenas de boa disposição recordando as nossas tropelias e que tanta vez fizeram perder a paciência e a compostura do corpo docente daquele nosso saudoso Liceu Nacional da Guarda.
A merecer destaque a inclusão de 5 daqueles que considero os mais belos textos sobre a nossa passagem pelo Liceu da autoria de outros tantos nossos colegas e amigos.
Composição gráfica, montagem e desenhos de Luis Mário Cunha!
FALECEU O PATRÍCIO MIGUEL
Faleceu o Patrício Miguel
+ Subitamente, no dia 27 do corrente, recebo no meu telemóvel e posteriormente na minha página do facebook a seguinte mensagem, que me deixou atónito e inquieto. De imediato liguei para o Janeca Estevão e para o Pedro Carrapichna, que se encontrava no Porto, e que ainda não tinham conhecimento deste trágico desenlace:
Olá amigos e amigas, despeço-me de vocês com muito carinho amanhã na missa de corpo presente às 15h, na Igreja de São Pedro de Alverca.
O meu velório será hoje dia 28 a partir das 19h no Salão dos Bombeiros Voluntários de Alverca do Ribatejo.
Muito Obrigado por tudo
Patrício Miguel.
+++++++++
+ Luis
Há 15 dias que estou fora de Lisboa, hoje precisamente no Porto.
Há menos de 4 semanas, já depois do nosso encontro na Guarda, troquei uns mails com o Patrício Miguel em que ele se
mostrava esperançado com um tratamento de químio que lhe tinham prescrito. Ele
era um otimista nato! Ofereci-me para o acompanhar no hospital e darmos, a
minha mulher e eu, apoio à Candida com os netos para ela melhor o acompanhar e,
contrariamente ao que sempre fez, já não respondeu a este último email. Tenho
andado muito apreensivo nesta viagem e várias vezes marquei o número do seu
telemóvel, mas nunca fiz a chamada pois tinha medo.
Acabo de saber agora por ti, no Face, o que tanto temia. Quando faleceu? Como soubeste? Estou profundamente chocado.
Um abraço
Eliseu
+++++++++
+ Eu suspeito que tenha sido a esposa que
redigiu aquela mensagem! Da última vez que falei com ele,
respondeu-me que nunca mais iria participar em nenhum encontro da malta!Tentei
contrariá-lo mas .... um abraço para ti.
Luis Mário
+++++++++
+ Alguns já sabem, mas..
O Patrício Miguel, deixou-nos para
sempre.
O funeral é amanhã em Alverca (não sei mais nada)
Carrapichana
+++++++++
+ Meus caros
Já tinha lido no Facebook a notícia dada pelo Luis Mário, a quem já respondi e
questionei. Estou profundamente chocado!
Ainda há não muito tempo, uma semana e tal depois do nosso encontro da Guarda,
escreveu-me ele novamente pesaroso a lamentar o não ter podido estar presente
nesse encontro onde ele tanto teria gostado de participar e dizia-me que ia
iniciar um tratamento de químio, mas estava bastante esperançado no êxito do
mesmo. Era uma pessoa muito forte de ânimo e sempre otimista, apesar de tantos
problemas que teve nos últimos anos.
Já não respondeu aos meus oferecimentos de apoio e acompanhamento nos
tratamentos, nem no apoio da minha mulher com os netos para poder libertar a
Cândida.
Estou fora de Lisboa há 15 dias e esta notícia deixa-me arrasado.
Um muito grande abraço Miguel, como os que sempre nos demos.
Eliseu
+++++++++
+ Se algum
dos Colegas for ao funeral, ficávamos gratos que pudesse ser comprada um Palma
em nome da AAEG ( Associação doa Antigos Estudantes da Guarda ) da qual o
Patrício Miguel era Sócio.
Deimediato se encontrará uma forma de o valor gasto ser ressarcido, como é óbvio.
Entretanto
a AAEG já está a fazer um Comunicado a todos os Sócios participando a perda
deste estimado Colega
Cumpts.
César
Pereira.
+ Ave Cesar !
Já só vi este mail depois de ter
vindo do funeral ...
não foi a tempo
Um abraço
Jorge Nuno
+++++++++
+ É
sempre com alguma mágoa e tristeza que se recebe uma noticia
destas, mas a realidade é que convivemos lado a lado com esta separação.....
Os
amigos estão sempre presentes nos bons e maus momentos...
O
eterno descanso Patrício. Paz à sua Alma
Só
hoje tomei conhecimento .
Ana Silva
+++++++++
+ Mais um que vai continuar no nosso
coração.
Não se adivinhava um final tão rápido....
Que descanse em paz.
Maria Manuel Monteiro Mascarenhas
+++++++++
+ Que do outro lado da vida encontre paz e
serenidade.
Os familiares a aceitação e uma saudade
calorosa no coração.
Luisa C
+ Um grande abraço a todos,
Ana Sousa
+++++++++
+ O
nosso caro amigo deixou-nos ! Não por vontade própria, porque gostava da Vida ,
da Família e dos Amigos.
O
Patrício já não sofre; sofrem os Familiares pela falta que o Patrício lhes faz,
mas a Memória de um Homem Bom fica com todos!
A. Luzia
+++++++++
+ Regressei agora do Porto.
Mais uma má notícia.
Ficam as boas memórias.
Abraços,
Rui Gamas
JÚLIO CARLOS SERRA CABRAL RAMOS
Que saudades me (nos) deixou este meu grande e particular amigo. Tanta vez que me encontrei com ele em Coimbra! Tanta vez que utilizei os seus préstimos para organizar roteiros e actividades culturais para o que sempre mostrou total disponibilidade apesar, de já já afectado pela grave doença que haveria de o vencer! E como ele tinha vontade de viver! Inesquecível. Inigualável. Um irmão e guardenses dos 7 costados!
foto gentilmente enviada pela sua esposa Zélia Henriques.
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